"É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão". (Cesare Pavese)

Poema 26 - Vagão do Tempo

Depois de tanto tempo sem escrever, surge o poema. Inspiração? Uma peça teatral, notícia de aposentadoria de amigos e a próxima estação: o verão!


Vagão do Tempo

A vida é como uma ferrovia.
O destino é sempre o mesmo.
O trem do tempo nos conduz
A quatro estações...
Quanta euforia!
Que alegria!

O trem vai parando...
A estação vem chegando...
É OUTONO!
Dias curtos, noites longas...
A temperatura é amena,
Mas a alma não pode ser pequena.
Sofremos perdas: folhas caem,
Cores escurecem...
Surgem também os frutos:
Podemos provar a doçura da uva,
Mas também a acidez do limão.
O que você faz
Ao chegar nesta estação?

Estação INVERNO à vista!
Já sentimos o ar frio,
O barulho da chuva,
O murmurar de um rio...
As noites seguem longas,
Oportunidade para sonhar mais...
Os raios de sol perdem
Sua intensidade,
Porém o astro-rei continua lá.
Haverá outras oportunidades
Para sua majestade desfrutar!
Seguimos viagem
No balanço do trem.
No aconchego de quem viaja
Bem acompanhado,
Acabamos por esquecer
A frieza invernal
Porque o calor da amizade
Traz a esperança da
Próxima estação...

Já posso sentir a fragrância das flores.
São muitos perfumes...
Há um sortido de cores!
O trem se aproxima
Da estação PRIMAVERA.
Noites mais breves e
Dias prolongados...
Oportunidade para realizar mais!
É tempo de renovação.
Mas vale lembrar que,
Se não fosse o hibernar do inverno —
Tempo de silêncio e descanso —,
Não teríamos chegado à florida estação!
Ela nos brinda com a beleza das rosas,
Porém traz à lembrança também os espinhos...
Às vezes sangramos em forma de lágrimas,
Água que brota do coração!
Ah, como não falar da florada dos ipês!
Para os apressados,
Apenas flores caídas no chão.
Para os visionários,
Um tapete estendido, cheio de emoção!
Vem comigo e, em sonho,
Nele desfilaremos até a próxima estação...

O clima ameno vai ficando para trás,
E as temperaturas vão aumentando...
Sol, chuva, vento, raio e até trovão.
O trem apita todo faceiro:
Vem chegando a estação VERÃO!
Dias mais longos...
Dias mais quentes...
Oportunidade para crescer mais!
Nesta estação tudo é vibrante,
Tudo é mais intenso!
E neste trem sou eterno viajante...
Já posso ouvir o murmúrio do mar,
O vai e vem das ondas,
O sussurro do vento a soprar,
Que mais parece um carinho
Em forma de brisa...
Ah, mar!

E vou apenas repetir
O que o poeta já disse
E todo mundo já sabe.
Que bom que na poesia
Encontro essa liberdade
De poder dizer com toda autoridade:
Dias melhores VERÃO!!!

Mas a viagem não termina por aqui,
Embora ela tenha um fim.
O trem, uma hora, vai parar...
Não tem jeito, não.
Agora sigo solitário
No vagão do tempo,
Rumo a outra estação:
Parada da eternidade!
Poderei ficar cara a cara
Com o maquinista e, ali, sim,
Chego ao destino final:
A Estação Liberdade!


Professor Denilson Duarte - 01/12/2025


"O poema é fruto do olhar, da vivência, da capacidade 
de transformar tempo e emoção em linguagem".

2 comentários:

  1. Poema maravilhoso e emocionante! Um artista, no caso mais um né pq eu já sou kkkkkk

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